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Crise fecha dez hotéis em Salvador; estabelecimentos sofrem com o vazio

 

O aumento na oferta de leitos para a Copa do Mundo e a crise no turismo baiano já provocou o fechamento de 10 hotéis em Salvador, desde o fim do ano passado.

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O sonho de viver do Brasil está chegando ao fim para o empresário Jesus Humberto, após 30 anos, sendo 14 deles dedicados ao Hotel Lazer Piatã, onde depositou sonhos e o investimento de toda uma vida. A decisão de colocar à venda o hotel por 25% do valor de mercado é reflexo direto de uma crise que já levou 10 outros empreendimentos de pequeno porte a fechar as portas em Salvador, desde o final do ano passado, de acordo com levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis na Bahia (ABIH-Ba).

Hotéis menores e, quase sempre, mais antigos são os que mais sentem a crise vivenciada pelo turismo na capital baiana. Mas há um reconhecimento geral de que a situação é grave e atinge investimentos dos mais diversos portes.

O cenário é explicado pelo aumento no número de leitos após a Copa do Mundo, pela redução no fluxo de turistas na cidade após o fechamento do Centro de Convenções para reformas, mas também  por problemas mais antigos, como a derrubada das barracas de praia da orla e da imagem negativa causada pela insegurança para turistas.

A Copa do Mundo, que deu ao setor a esperança de divulgação internacional do país, trouxe a tiracolo novos investimentos no setor hoteleiro que ampliaram a oferta de leitos em Salvador de 35 mil, há cinco anos, para os atuais 40 mil, de acordo com dados registrados pela Federação Baiana de Hospedagem e Alimentação (Febha).

O cenário é mortal para os estabelecimentos de pequeno porte, reconhece o presidente da ABIH-Ba, José Manoel Garrido. “O que vem acontecendo nos últimos anos é que enfrentamos um cenário de baixa ocupação, agravado pelo aumento na quantidade de leitos”, explica Garrido.

Segundo ele, o cenário de dificuldades para manter a operação nos hotéis é generalizada. “Os hotéis que fecharam do final do ano passado para cá são pequenos e antigos, por isso sentiram mais o impacto da crise, mas todos estão passando por dificuldades financeiras”. Garrido diz que parte dos empreendimentos foram construídos pelo regime chamado de condohotéis, lançados por imobiliárias e com investimentos de pessoas sem conhecimento do mercado turístico baiano.

“Nós chegamos a fazer um alerta de que esta situação poderia causar problemas em 2011. Mostramos que não havia demanda de mercado para tantos novos empreendimentos”, lembra. Segundo ele, foram lançados 12 projetos do tipo, visando a Copa do Mundo, sendo que quatro foram abortados.

O presidente da Salvador Destination, Paulo Gaudenzi, diretor do Grupo GJP e ex-secretário de turismo da Bahia, explica que sem procura, os hotéis vão operar com déficit. “Quanto menor, mais enxuta a estrutura operacional. Muitos desses empreendimentos são empresas familiares. Acontece que eles tem a desvantagem de ter pouco capital de giro. Se enfrentam problemas, tem uma margem de manobra pequena”, argumenta.

Gaudenzi diz que o cenário atual  da economia turística na Bahia é muito ruim. “Isso tudo o que está acontecendo é reflexo das circunstâncias, que são extremamente negativas. Com a crise na economia, o turismo de negócios está parado. Sem o Centro de Convenções, não temos eventos, e já há alguns anos perdemos o nosso turismo de praia, com a derrubada das barracas. A Bahia está andando para trás”, lamenta o empresário.

Malas prontas
Com um prejuízo acumulado de R$ 230 mil desde o início do ano para cá, o empresário  Jesus Humberto Martin, 52 anos, conta que a única alternativa que viu foi desistir do  Hotel Lazer Piatã. Na última quarta-feira, apenas quatro dos 100 leitos disponíveis em 26 quartos estavam ocupados.

“Os hóspedes que estão aí são de um acordo que fiz com uma empresa para que fiquem pela metade do preço da diária. Eu estou pagando para manter o hotel aberto”, diz. Só em junho foram R$ 30 mil de prejuízo, conta.

A recepcionista está lá, sem ninguém para receber. O telefone, quase não toca. No restaurante de 50 mesas, ninguém. Hoje, a esperança de Jesus Humberto é encontrar um investidor disposto a pagar R$ 2 milhões pela área de 1 mil metros quadrados. Após a venda, vai fazer as malas e voltar para a Espanha, onde já se encontram a mulher e o filho de 22 anos, nascido no Brasil.
Segundo ele, o preço que está pedindo representa 25% do valor de mercado do prédio, de frente para a praia de Piatã, outrora um disputado lugar ao sol por visitantes.

O calvário de Humberto se iniciou o impasse em relação à derrubada das barracas de praia da orla há quase 10 anos. “Antes disso, eu tinha uma ocupação média de 90% no ano. A gente não sabia o que era baixa estação porque trazia muitos espanhóis para cá”, lembra o empresário. Segundo ele, famílias inteiras se instalavam no local para desfrutar as praias de Salvador.

Reflexo da crise, o quadro de funcionários, que chegou a 30, atualmente está com sete pessoas, cujo futuro dos empregos é incerto. “Eu não tenho como manter. Meu compromisso é o de quitar todos os compromissos trabalhistas”, diz. Recentemente, lembra, o empresário se viu diante da necessidade de desligar funcionários que estavam com ele no hotel há mais de 12 anos. “É difícil porque uma pessoa que trabalha com você por tanto tempo é quase de sua família”.

Com o fim da aventura de três décadas no Brasil, Humberto diz que os planos agora são de viver da indústria náutica na Espanha, onde pretende trabalhar com  a manutenção de barcos.

Setor acumula cinco meses de prejuízos este ano
Está cada vez mais difícil tirar dinheiro de hotéis em Salvador, diz o presidente da Febha, Silvio Pessoa.  Ele acredita que as notícias de fechamentos de hotéis e de demissões no setor são indícios de que a crise está mais grave este ano. “Nós estamos há quatro anos em uma crise, que vem se agravando”, afirma.

Segundo Pessoa, de fevereiro a junho, a ocupação de leitos nos estabelecimentos apresentou sucessivos resultados abaixo de 60%, que representa o mínimo para que o negócio dê retorno financeiro. “Com hotéis cheios ou vazios, as empresas precisam dar conta de custos fixos, como obrigações trabalhistas e tributárias. Tem muito dono de hotel recorrendo a empréstimos para pagar a folha de pagamento”, diz.

A crise em um setor intensivo na contratação de mão de obra tem como reflexo direto um grande número de demissões. Segundo Silvio Pessoa, do início do ano para cá foram registradas quase quatro mil demissões. “Esses dados são do sindicato dos trabalhadores”, afirma.

O presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens na Bahia (ABAV-Ba) e do Convention Bureau, José Alves,  conta que a cidade de Salvador passou por um processo de desgaste há alguns anos e diz que agora é preciso que se continue trabalhando na recuperação da cidade e vender o que já melhorou.

“Hoje pelo menos temos um trabalho do município. Ainda não podemos voltar a vender nossas praias, mas vamos poder em breve. Mas já temos o que apresentar e precisamos fazer isso”, diz. Alves defende que o setor, em parceria com o poder público estabeleça novos roteiros a ser destacados na cidade.

Economia desaquecida atrapalha o turismo
O secretário de Turismo de Salvador, Érico Mendonça, diz que a situação dos hotéis é reflexo do momento da economia brasileira e do fechamento temporário do Centro de Convenções, que normalmente atrai eventos na baixa temporada. “Estamos vivenciando uma crise. Nesses momentos, a primeira coisa que as pessoas cortam é o lazer. No caso de Salvador, a situação é mais grave porque a cidade passou um longo período sem oferecer atrativos”.

Mendonça diz que a Prefeitura vem trabalhando em duas frentes  para recuperar o turismo na cidade. Este ano o município terá um estande na Abavexpo – Feira das Américas, em São Paulo, que é um dos maiores encontros do setor. Além disso, a Prefeitura vai investir em workshops com operadores de viagens nas principais cidades emissoras de turismo para a Bahia e vai lançar uma nova campanha promocional com um plano de mídia.

Segundo o secretário de Turismo da Bahia, Nelson Pelegrino, o governo está se esforçando para se articular com os empresários do turismo na recuperação do turismo em Salvador. “Nós estamos trabalhando em parceria com a Prefeitura na requalificação dos principais destinos da cidade. Começou com o Pelourinho este trabalho conjunto e queremos expandir”, diz.  O secretário diz que o turismo precisa se voltar mais para o público interno.

Hotéis fechados
CORSARIO PRAIA HOTEL

PORTO FAROL APART HOTEL

POUSADA BAYONA

SAN MARINO HOTEL

HOTEL SOLAR DIANA

VILLA GIULIANA RESIDENCE

ALBERGUE DO PORTO

POUSADA REDFISH

CORSÁRIO

LITORÂNEO

Fonte:http://www.correio24horas.com.br/detalhe/noticia/crise-fecha-dez-hoteis-em-salvador-estabelecimentos-sofrem-com-o-vazio/?cHash=4d8efd9897669c43eb4011c61145f515

 






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